sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Opinião | O escultor - Carina Rosa

Olá! Hoje trago a opinião de um livro de uma autora portuguesa que já não é novidade aqui no blogue: a Carina Rosa. O escultor é o seu novo livro e é bem diferente daquilo a que ela nos tem habituado, mas a qualidade do seu trabalho mantêm-se, ou melhor dizendo, está ligeiramente melhor como tem acontecido de trabalho para trabalho.

Título: O escultor
Autora: Carina Rosa
Editora: Coolbooks
Edição/reimpressão: 2016
ISBN: 978-989-766-085-6
Páginas: 460
Sinopse: "Mariana Esteves é uma galerista de sucesso, cuja vida muda após uma exposição. Um bilhete anónimo cai-lhe nas mãos, assinado «O Escultor». No papel, ameaças a si e à sua companheira de casa, Alice. Mariana ignora as mensagens do Escultor, mas há um dia em que percebe que não o pode evitar mais: Alice foi levada.
André, um jovem agente da Polícia Judiciária, é o homem que investiga os casos do artista anónimo e não consegue esquecer os rostos das mulheres desaparecidas ao longo dos anos. Para Mariana, ele é apenas um agente a quem deve dar o mínimo de informação para encontrar Alice. Para André, ela é uma mulher fria, a quem jura arrancar toda a verdade para fechar este caso de uma vez por todas. "


Opinião: Depois de já ter tido a oportunidade de ler vários trabalhos da autora, foi bom pegar em algo dela mas num registo algo diferente daquilo a que ela nos foi habituando ao longo dos tempos. Desta vez, a escritora decidiu apostar num livro que junta vários géneros literários num único trabalho: romance erótico, policial/thriller e algum mistério, contudo gostei bastante do resultado final.
   Este livro conta-nos a história da Mariana, uma galerista de sucesso, que tem uma vida demasiado monótona, não fosse por vezes a sua amiga e companheira de casa a fazê-la fugir um pouco à rotina e os seus dias seriam sempre iguais. As duas não podiam ser mais distintas uma da outra, mas creio que é isso que dá beleza a amizade delas, é como ter dois pólos diferentes juntos num só lado. Enquanto Mariana é perfecionista, trabalhadora e reservada, a Alice é completamente o oposto sendo mais descontraída, mais extrovertida e mais animada, tentando sempre trazer esses lados de Mariana ao cimo, embora nem sempre essa tarefa se revele fácil. A parte em que me apercebi do quão diferentes estas duas são uma da outra além da questão óbvia, é quando a autora nos faz uma breve descrição do quarto de cada uma, a diferença é abismal.
    O início da história é um pouco a contextualização de todo o ambiente da vida da protagonista, a Mariana. A forma como gere a sua vida, as pessoas que a rodeiam e um pouco sobre as suas formas de pensar e agir. Mas a verdadeira ação da história tem inicio quando Mariana começa a receber bilhetes bem estranhos de alguém que se intitula “O escultor”, mas ela vai desvalorizando o aparecimento destes bilhetes na sua galeria, mas tudo muda quando Alice desaparece sem deixar rasto e o desaparecimento parece ter dedo do dito escultor.
   Mariana vê-se obrigada a pedir ajuda a alguém e recorre ao posto da polícia, sendo que é de imediato encaminhada para o inspetor André, caindo-lhe desde logo nos braços. De verdade! Por sorte ou por coincidência do destino André está encarregue de investigar o desaparecimento de várias jovens na zona e depressa se apercebe que a historia de Alice está interligada com tudo o resto.
    O escultor foi uma personagem que apesar de arrepiante e muito macabra, gostei bastante da sua caracterização e dos capítulos que lhe eram dedicados de modo a mostrar-nos um pouco mais sobre a sua vida e mente doentia. Tudo tem um porquê e a história deste homem não é exceção. O único senão é que desconfiei desde o início da verdadeira identidade do escultor, inicialmente até pensei que era óbvio demais para ser verdade mas de facto não fazia sentido que fosse outra pessoa e esse foi para mim um dos poucos pontos negativos deste livro, mas em contrapartida esta foi das minhas personagens favoritas ao longo da história devido a toda a complexidade inerente à construção do mesma.
    Ao início custou-me um pouco a entrar na história porque não estava a conseguir gostar muito das personagens, mas depois surgiu o mistério e depois o romance que me deixou em pulgas para o andamento da coisa. O meu lado romântico fala sempre mais alto quando existem casais à mistura e no caso de Mariana e André não foi exceção, principalmente porque esta foi uma aproximação que levou o seu tempo, mas foi tão bom ver duas pessoas tão frias a derreterem quando estavam juntas. E aquele momento perto do final cliché foi tão bom. A sério!
     Os capítulos vão alterando entre os vários personagens o que abona a favor da história porque nos dá a perspetiva de todos eles sobre tudo aquilo que está a acontecer no presente e aborda também um pouco do passado de cada um dos personagens o que, muitas vezes, explica o porquê deles terem determinadas atitudes no presente.
   (In)felizmente existe uma imensidão de pormenores sobre este livro que eu gostava muito de abordar, mas não o vou fazer porque vai certamente estragar a experiência de leitura de quem vier a ler este livro, mas acreditem se há livro que tem muitas surpresas para dar ao leitor é este!
Só um pormenor que não posso deixar passar em branco porque foi das primeiras coisas que reparei quando me deparei com este livro: a capa. Na minha opinião esta muito bem conseguida e expressa de forma muito boa história. Arrisco-me ate a dizer que é das capas mais bem conseguidas a nível de livros nacionais, mesmo.
"Pela primeira vez em muitos anos, Mariana sentiu que andara à deriva toda a via, tentando encontrar um amor que pensava ter descoberto na arte. Mas amor era isto: uma pessoa e um lar. Esse lar era na casa de André, por entre paredes e cortinados escuros, simples, práticos e frios, como, na verdade, eram amos. Eram iguais e amavam-se."
Pág: 460
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Esta leitura teve o apoio da editora CoolBooks (Chancela da Porto Editora) que me enviou um exemplar em troca de uma opinião sincera.

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