quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Entrevista | MBarreto Condado

Olá! Hoje é dia de novidades e estreias por estes lados e de quê perguntam vocês? Bem, o título do post diz tudo. Achei que o facto de começar a ter oportunidade de ler mais autores nacionais não se devia limitar apenas a isso, pelo que pensei que seria bom começar a postar entrevistas que contam com a colaboração dos autores que vou lendo, sendo esta uma forma de os divulgar e promover, uma vez que muitos deles são novidades e estreias neste mundo literários.
Parece-vos bem? Eu estou muito entusiasmada com esta ideia e posso adiantar desde já que já tenho a próxima entrevista preparada.


1. Começando por quando tudo começou. Como é que o gosto pela escrita entrou na sua vida? Desde o seu primeiro contacto com a mesma que manifestou o desejo de vir a editar e publicar um livro ou isso só aconteceu mais tarde?
Aconteceu tudo muito naturalmente, a minha avó materna tinha um amor incondicional pelos livros que me conseguiu incutir desde cedo. Essa mesma paixão que permanece inalterada até hoje. Dai a perceber que adoro inventar e contar estórias foi o passo seguinte. Dá-me real prazer faze-lo, adoro ler e adoro com a mesma intensidade escrever. Contudo a ideia de passar o que vai dentro da minha cabeça para o papel foi uma decisão mais tardia. Quando comecei escrevi pequenos contos e já não consegui parar mais, até hoje. Yggdrasil surgiu quase que de um dia para o outro. Nessa altura pedi à minha amiga Elisabete e à filha dela que o lessem e me dessem a sua opinião, o mais imparcial possível, enquanto o estivessem a ler tinham que esquecer que me conheciam. Adoraram e foram elas que me desafiaram para o próximo passo aquele em que já pensara diversas vezes mas para o qual ainda não tinha ganho a coragem necessária, a publicação. Como não sou de recusar um bom desafio avancei a medo, contudo esta acabou por surgir naturalmente. E neste momento confesso que estou a adorar todo o processo que a promoção de Yggdrasil envolve. Agora já não quero nem vou parar de escrever e publicar o meu trabalho.


2. Conte-nos um pouco de como funciona o seu processo de escrita. Tem lugares específicos para escrever, fá-lo em silêncio ou com música e planeia ao pormenor o enredo ou deixa a escrita fluir conforme vai escrevendo sem grandes planeamentos?
Não consigo fazer nada em silêncio. Gosto de escrever sempre que consigo sentada na minha sala, no sofá de preferência e normalmente rodeada de todos os meus animais que costumam ser a minha companhia pela noite fora, quando me consigo desligar do que me rodeia mas sempre com o rádio ou a televisão ligada. Tudo e todos à minha volta têm muita importância no meu processo criativo. Os meus livros sou eu, e eu, sou o resultado de tudo o que já vivi, de tudo o que já li, de tudo o que ainda espero viver e poder criar. Na altura em que comecei a escrever Yggdrasil, tinha acabado de ouvir na rádio as músicas “Demons de Brian McFadden” e “Demons dos Imagine Dragons” a partir dai a minha cabeça fez um clique e foi basicamente assim que surgiu a ideia central. Era o sinal porque esperava. Mas não planeio o que vou escrever, não tiro notas que me possam vir a servir como auxiliares de memória, nada disso. Simplesmente escrevo o que me vai na alma na altura, e assim as estórias vão fluindo. O único problema com que me deparo assim que começo é que não consigo parar.



3. Como é que surgiu a ideia e onde é que foi buscar inspiração para escrever o livro Yggdrasil – Profecia de sangue?
Além das músicas que me deram o mote central de toda a trama. Sempre fui uma fascinada pela Mitologia Celta, a Mitologia Nórdica e a religião Wicca, mas foi somente após a minha viagem à Irlanda que tudo começou. Os locais que descrevo existem, Glendalough e as montanhas de Wicklow são realmente mágicas, as pessoas são fantásticas, Dublin é uma cidade que nos fica no coração. Sinto que se existe a reencarnação foi ali que eu vivi, possivelmente no século X, descendente dos vikings. Mas e apesar de falar de magia, em Yggdrasil não existiu uma fórmula mágica, as ideias foram nascendo na minha cabeça conforme ia escrevendo. É que para mim faziam todo o sentido. Não estava a escrever mais uma estória, parecia que estava a descrever algo que se poderia passar com qualquer uma de nós. E como em ficção tudo é permitido dei asas à imaginação e voei para onde ela me levava. Achei contudo que a personagem principal e o motor de Yggdrasil tinha que ser obrigatoriamente uma mulher portuguesa. E estou muito satisfeita com a Maria e com o resultado.


4. Como tem sido o feedback em relação a esta obra?
Ainda não passaram três meses desde a apresentação do meu livro e posso afirmar que até agora tem sido de acordo com as minhas expectativas. É verdade que ainda não sendo reconhecida pelo grande público tenho que trabalhar muito na promoção do meu trabalho. Mas acredito naquilo que escrevo e estou disposta a ir à luta para dar a conhecer o que faço ao maior número de pessoas. Levo em conta todos os comentários e sugestões que me fazem, julgo que só assim poderei melhorar o meu trabalho e crescer, com a ajuda de todos os que leem e que comentam o que escrevo.


5. Quando criou as suas personagens, inspirou-se em pessoas que a rodeavam e que lhe eram próximas?
Todas as minhas personagens são de alguma forma uma representação de mim mesma. Gosto de pensar que tenho tanto do Fionn, como da Maria e até mesmo da Hel. Mas sim, a minha vida, as pessoas com quem me cruzo diariamente devem sentir-se representadas em algumas das personagens. A única personagem que posso dizer que tentei colocar como uma cópia o mais fiel possível da pessoa que foi, é a avó Lena que na realidade é uma representação da minha própria avó. E para isso nada melhor para descrever essa personagem como as palavras de uma amiga com quem cresci, que a conheceu e que já leu Yggdrasil: “... fizeste-me cair algumas lágrimas ao ler certas passagens, que ainda perduram na minha memória, de uma grande senhora que como bem dizes "ela estará sempre a teu lado…".” 


6. Podemos contar com uma continuação da história da família MacCumhaill e das suas aventuras?
Claro que sim, nem poderia ser de outra maneira. Amo esta família que é também a minha família, pelo que decidi dar uma oportunidade a cada um dos Irmãos e à prima. Enquanto a trama se vai desenvolvendo também eles vão encontrando o seu tão almejado final. Mas posso avisar que a acção ainda só está a começar, muito está ainda para acontecer, mais personagens irão aparecer, verdades serão reveladas, nem tudo serão alegrias neste percurso ainda longo, os MacCumhaill e todos aqueles que de algum modo se vão ver envolvidos com eles vão ter que provar no decorrer de toda esta saga que são na realidade uma família unida como já demonstraram ser. Terão pela frente ainda algumas situações menos agradáveis que irão colocar à prova a sua própria imortalidade, vários obstáculos que terão que ir superando na sua já tão complicada e longa vida, para poderem vir a ser dignos de um “final feliz”.


7. Pode revelar-nos alguma coisa sobre projetos literários futuros?
Agora que finalmente comecei não pretendo parar tão cedo. Já tenho o segundo volume da saga Profecia do Sangue escrita e pronta para publicação, posso adiantar que se chamará “A Fivela de Aker, Profecia do Sangue” e já estou no terceiro volume dos cinco projectados, apesar de ter feito neste momento uma pequena pausa, para me dedicar a outra saga. O primeiro volume desta nova saga “Irmandade da Cruz”, da qual “Lua do Lobo” será o primeiro livro também estará em breve para publicação, ainda dentro deste mesmo género de escrita. Tenho ainda um romance, já terminado, e este não tem nada de sobrenatural, pelo que julgo que necessitarei de mais um empurrãozinho para ganhar coragem para o publicar. Confesso contudo, que o género que me dá mais prazer escrever e com o qual me identifico é mesmo o deste mundo fantástico que nos faz acreditar que a magia existe e que a imortalidade é possível. Espero que quem leia os meus livros se consiga apaixonar com a mesma intensidade pelas personagens e que estas passem a fazer parte das suas vidas como fazem da minha. Espero encontrar-vos em breve em Yggdrasil, em Glendalough para lá nas montanhas de Wicklow, se vierem por bem serão sempre calorosamente recebidos no caloroso abraço dos MacCumhaill.
Obrigada e Slainté!


Nota: Mais uma vez, quero deixar aqui o meu agradecimento pela disponibilidade da autora que desde logo se mostrou prestável e disponível para tornar esta entrevista possível.


E que tal, gostaram de saber um pouco mais sobre esta autora?

5 comentários:

  1. Olá Tânia,
    Gostei de ficar a conhecer melhor esta escritora portuguesa. Quero muito ler os seus livros.
    Beijinhos e boas leituras.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá,
      É uma autora que vale muito a pena ler, eu vou querer ler mais coisas dela. :)
      Beijinhos.

      Eliminar
  2. Uau! Gostei da novidade, é sempre bom ficarmos a conhecer melhor os autores.

    ResponderEliminar
  3. Viva,

    Olha que bem, obrigado pela partilha da entrevista, acho que acaba sempre por ser uma mais valia para ambos os lados :)

    Bjs e continua :D

    ResponderEliminar